segunda-feira, 13 de abril de 2026

Foto: Jarbas Santana / Ascom Parlamentar

Mães e professores de todo o Piauí estão denunciando a falta de estrutura e de capacitação nas escolas da capital e do interior do estado para os cuidados adequados com alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com outras deficiências.

Dezenas de denúncias têm sido recebidas pelo deputado Franzé Silva (PT), através de suas redes sociais. O parlamentar havia criticado, publicamente, a situação, o que atraiu relatos sobre problemas com a política de inclusão no ambiente escolar.

Para Indaína Costa, mãe de criança atípica: “precisa de infraestrutura para as escolas. Não sei que inclusão é essa. Em uma sala com 25, 30 ou mais crianças e somente um professor e um apoio de inclusão para, no mínimo, quatro ou mais crianças atípicas. Isso, quando tem apoio na sala”.

A professora Daniela Souza observou que: “nunca concordei com criança especial em escola regular sem preparação específica. Acho muita exclusão, sem evolução adequada nas atividades. E aí ficam ociosos, agitados, piora quando chega em casa. Já vi merendeira ser o cuidador”.

Parte das manifestações também critica o sistema de ensino em tempo integral, observando que o modelo não estaria preparado para lidar com os casos de crianças atípicas, o que agravaria a situação em muitos casos.

O deputado Franzé Silva quer discutir o problema, em nível nacional. O parlamentar assinala que, muitas das denúncias, têm vindo, também, de outros estados, o que, na visão do deputado, requer uma abordagem na esfera federal.

“O problema não é pontual, mas generalizado, atingindo não apenas o Piauí. Isso exige uma ampla discussão sobre a própria política de inclusão no sistema de ensino. Os prejuízos são para crianças, famílias, professores e a sociedade”, assinalou.

Sistema ABA e falta de profissionais de apoio

Outra denúncia e ponto criticado por familiares e educadores é a falta de profissionais de apoio nas escolas necessários para o cuidado adequado dos alunos com neurodivergência e deficiência.

Também há questionamentos sobre a falta de implementação do método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), recomendado para favorecer o desenvolvimento de habilidades adaptativas, cognitivas, sociais e comunicacionais.

No Piauí, a rede pública de ensino é obrigada pela Lei Nº 8.133/2023 a usar o sistema ABA para os alunos com autismo e demais neurodivergências. A lei é de autoria do Franzé Silva.

Sobrecarga e desvalorização dos professores

Outro ponto alvo de críticas nas redes socais de Franzé é a sobrecarga dos professores, diante da necessidade de cuidado especializado para alunos atípicos no ambiente escolar, e sua desvalorização profissional e salarial.

“Infelizmente, os profissionais de apoio não são valorizados, trabalhamos 40 horas semanais e recebemos um salário mínimo. Na maioria, são profissionais formados em pedagogia e exercem funções de apoio educacional”, afirma Dreyssy Pessoa.

Alepi celebra Dia de Conscientização sobre o Autismo

Nesta segunda-feira (13), a Praça do Povo da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) transformou-se em um espaço de diálogo e visibilidade em alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. O evento, que também contou com uma sessão solene realizada no Plenário Waldemar Macêdo, uniu discussões legislativas a ações práticas voltadas para a comunidade, como oficinas sensoriais e uma feira de empreendedorismo de mães atípicas.


A iniciativa, proposta pelos deputados Franzé Silva (PT) e Tiago Vasconcelos (PSD), com realização da Diretoria de Ação Social e Cultural da Alepi, teve como objetivo central ampliar o debate sobre o diagnóstico precoce, inclusão educacional e a quebra de barreiras sociais. Além da sessão solene, a manhã contou com a participação da Associação de Amigos dos Autistas do Piauí (AMA) e do Projeto Música Eficiente.

A voz de quem cuida e de quem vive o TEA

Para as famílias, o evento representou mais do que uma data no calendário – foi uma oportunidade de reconhecimento. Célia Rodrigues, mãe de um jovem com autismo nível três de suporte e assistida pela AMA, destacou a importância de espaços para expor seus produtos. “Nesses eventos, o pessoal vê a gente, a gente tem pouquíssima oportunidade. Aparecer em uma oportunidade como essa da Alepi é maravilhoso”, afirmou. Ela descreve o trabalho artesanal como uma “fuga para descansar a mente”, diante da rotina exaustiva de cuidados. “É muito cansativo você lutar por um autista. O meu é nível três… dificilmente eu tenho tempo para mim, meu tempo é só dele”, desabafou a mãe atípica.

A necessidade de acolhimento social também foi reforçada por Germana Vale, voluntária da AMA que recebeu o diagnóstico de autismo já na vida adulta. Ela ressalta que o trabalho da associação é vital para quem não tem condições de arcar com terapias caras e que o suporte da sociedade é o que torna o “peso” da condição mais leve. “A gente só quer viver, conviver, ser acolhido. Quando a sociedade começa a arcar um pouco com esse peso também, fica mais fácil para todo mundo”, explicou Germana, enfatizando que ações de visibilidade como as da Alepi são fundamentais para o entendimento público.

Lazer, Arte e Legislação

Enquanto as mães expunham seus trabalhos, as crianças e jovens participavam de oficinas de artes em gesso e atividades sensoriais com o uso de slimes. O Projeto Música Eficiente, coordenado por João Gilberto, também promoveu momentos de integração musical para os filhos das famílias assistidas. Segundo Patrícia Arraes, diretora de Ação Social e Cultural da Alepi, o intuito foi proporcionar um momento descontraído e de inclusão que fosse além das discussões de gabinete.

No âmbito legislativo, a Alepi reforçou seu compromisso com a causa, destacando a aprovação de 17 leis sobre o tema nesta legislatura. O evento encerrou-se reforçando que a inclusão efetiva depende da união entre políticas públicas eficientes e uma sociedade disposta a acolher as neurodiversidades. (Ascom Alepi)