
As cooperativas e os produtores de mel foram um dos segmentos exportadores beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de anular a política de sobretaxas promovida pelo presidente Donald Trump. Como não há recurso possível, o presidente estadunidense reagiu aplicando uma nova tarifa de 10% para todos os países do mundo, o que faz com que o mel do Piauí volte a ser competitivo naquele país.
Apenas em 2024, o Piauí exportou US$ 22,4 milhões em mel natural para os EUA, o que representou mais de 87% de toda a receita com vendas externas do produto. Entre os municípios que mais contribuíram para essa produção estão São Raimundo Nonato, Picos, Itainópolis, Anísio de Abreu e Simplício Mendes. Em 2025, após o tarifaço, as exportações desabaram, uma vez que o mel não foi contemplado entre os produtos que a Casa Branca retirou as taxas, após negociações entre o presidente Trump e Lula.
Embora prometa usar artifícios para continuar usando as taxas em sua política externa, no momento o que passa a valer é a nova sobretaxa de 10% anunciada sexta-feira (20/02) por Trump, o que torna o mel piauiense novamente competitivo naquele país.
O Estado abriga um número expressivo de famílias que encontram nessa atividade sua principal fonte de renda. Pelo menos 10.500 famílias estão diretamente envolvidas na criação de abelhas e produção de mel. O Piauí conta, ainda, com mais de 10 cooperativas especializadas no setor, além de outras que incluem a apicultura entre suas áreas de atuação. Diversos grupos informais também comercializam produtos apícolas para cooperativas e empresas exportadoras de mel.
Os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, apontam que a produção do mel no Piauí subiu de 3.249,5 toneladas, em 2014, para 8.829,8 toneladas, em 2023, um incremento de 171,1%, o que fez com que o Estado saltasse do sexto para o segundo lugar na produção do Brasil.