
O abastecimento de água no Piauí continua sendo objeto de reclamações. Na terça-feira, o deputado Henrique Pires (MDB), informou que vai conversar com a Mesa Diretoria da Assembleia Legislativa para que o recesso parlamentar seja suspenso e realizada uma sessão para debater o problema e cobrar soluções. Ele citou uma localidade em Parnaíba que, apesar de recebido obras para garantir o abastecimento de água por parte da concessionária Águas do Piaui, ficou cerca de 20 dias sem o líquido. Também há cerca de 20 dias, a concessionária fez uma explanação para a imprensa dos investimentos que fez e está fazendo no Estado no primeiro ano que assumiu a responsabilidade pelo abastecimento em substituição à Agespisa. Apesar disso, problemas persistem
E os problemas não acontecem apenas no interior. Teresina também tem padecido e, especialmente nas partes mais altas da cidade, como no Monte Castelo, o desabastecimento dura até quatro dias, obrigando a aquisição de água por parte dos moradores atingidos, como ocorreu no final de dezembro. Nesta quarta-feira (07), voltou a faltar água na área.
Já o caso do radialista Marcos Roéser é diferente. Morador do loteamento Esplanada de Baixo, na região do conjunto Porto Alegre, zona Sul de Teresina, ficou sem água no dia 17 de dezembro de 2025, sem saber o motivo. O abastecimento não foi cortado no registro de consumo e o pagamento das faturas está em dia. Desde então ele tem cobrado pelos canais de comunicação da Águas de Teresina e até pessoalmente, mas até a manhã desta quarta-feira (07), o problema não havia sido solucionado. No dia anterior ele esteve mais uma vez um posto de atendimento.
Ele reclama que nos sucessivos contatos, sempre sai esperançoso de que a solução vai aparecer mas o tempo passa e só a frustração fica: “Olha, é inimaginável a minha indignação. Sou uma pessoa de 60 anos e não tenho o mais básico, o mais elementar, o que é de mais sagrado direito humano que é água. Imagine uma pessoa em plena zona urbana de uma capital ficar, até agora, 20 dias sem água, para o consumo, para o preparo das refeições, para o asseio pessoal, para nada. Isso é, inclusive, uma questão de saúde. Você não ter água para tomar um banho ao chegar do trabalho e para sair, em uma cidade quente como Teresina. E os custos? Comprar água mineral, refeições fora, pagar para lavar roupa…sinceramente, é desumano”, desabafou.
Ele disse que não consegue compreender o descaso da empresa: “Creio que se tivessem mais pessoas atingidas pelo problema alguma solução já teria sido dada, mas como é um caso individual, é essa falta de respeito. Interessante é que, na hora de suspender o fornecimento por atraso no pagamento, a Águas de Teresina é ágil, não mede esforço nem distância; nem bate na porta para perguntar se tem algum doente em casa ou se houve algo grave para que o consumidor não honrasse com o pagamento da fatura. Nem tem a decência de bater para avisar que a água está sendo cortada. É fria, é impessoal, é desumana”, lamentou.